Quando pode ser necessário a cirurgia minimamente invasiva da base do crânio?

Como exemplo da indicação para tratamento com cirurgia minimamente invasiva da base do crânio estão as lesões que atingem a hipófise. Do tamanho de uma ervilha, a glândula hipofisária está localizada profundamente no cérebro, tal como se estivesse “bem no meio”. No entanto, o seu pequeno tamanho é inversamente proporcional à sua importância ao organismo.

A hipófise é produtora de diversos hormônios, de modo que a sua disfunção leva a inúmeros problemas endócrinos, tais como diminuição da libido, alteração no crescimento, alteração nas mamas (saída de leite, mesmo sem ter tido filho) e alterações menstruais. Sendo assim, tais sintomas endócrinos podem ser mais sérios e devem ser investigados.

Que tipos de lesões podem ser tratadas por meio da cirurgia minimamente invasiva da base do crânio?

Os microadenomas são lesões da hipófise menores que 1 cm que, geralmente, são tratados de maneira conservadora, ou seja, somente com tratamento medicamentoso ou por imagem da lesão. Já os macroadenomas são tumores de hipófise maiores que 1 cm, podem se manifestar com dor de cabeça persistente e, a longo prazo, hidrocefalia, compressão de nervos cranianos, sendo comumente afetado o nervo da visão, alterando a visão periférica. Nessas circunstâncias a cirurgia se faz necessária.

Como é realizada uma cirurgia minimamente invasiva da base do crânio?

Com o passar dos anos, a cirurgia da hipófise passou por uma evolução significativa, principalmente, no que se refere ao acesso e precisão do procedimento, o que otimiza o tratamento como um todo. O procedimento que outrora foi realizado através de craniotomias – pela abertura do crânio -, hoje, pode ser feito por meio de microcâmeras e microscópios de altíssima resolução.

Esse passo foi dado com a união de neurocirurgiões e otorrinolaringologistas, chegando aos procedimentos minimamente invasivos para o tratamento da hipófise. Com o auxílio de modernos e sofisticados equipamentos e usando os orifícios naturais, como o nariz – acesso sublabial – têm-se uma perfeita visualização da glândula hipofisária em seus vários ângulos.

Dessa maneira, consegue-se diferenciar com precisão o que é glândula saudável e o que é tumor, podendo alcançar alto um grau de retirada do tumor, diminuindo o risco de retorno da lesão, sangramento nasal, uso de tampões nasais, bem como, reduzindo também os dias de internação hospitalar.

Ainda que o acesso pelo nariz, graças ao manuseio de espéculos nasais para se criar uma via de acesso até a região da hipófise, antes das visualização digital, o tratamento exigia uma longa internação, maior chance de sinéquias (aderências no nariz, que podem levar a uma dificuldade para respirar), desconforto com uso de tampão nasal e uma alta chance de retorno da lesão, devido a uma ressecção incompleta.

*Por vezes, ainda hoje, se utiliza a abordagem com grandes incisões na pele e necessidade de retração cerebral, porém, o método que mais se popularizou é o tratamento com utilização do microscópio.


foto 3x4 do neurocirurgiao rodrigo mafaldo

Dr. Rodrigo Cadore Mafaldo
CRM: 30475  RQE: 25595

Realizou residência médica em neurocirurgia no Hospital Santa Monica, GO.
Fellowship Minimally Invasive Cranial Surgery, em Ohio State University, USA.
Advanced Technics Young Neurosurgeon – Tübingen University Germany

 

 


Dr. Gustavo Rassier Isolan
CRM: 28493 RQE: 16501

Possui graduação em Medicina pela Universidade Católica de Pelotas (1998), mestrado em Princípios da Cirurgia pela Faculdade Evangélica do Paraná (Defesa de tese em Gliomas – 2003) e doutorado em Medicina (Defesa de tese em Gliomas – Clínica Cirúrgica) pela Universidade Federal do Paraná (2005).